Envolvido até o último fio de cabelo contigo e comigo. Inalando suas essências enquanto busco relacioná-las com outras nem tão preciosas. Achando que estás aqui, comigo, todo o tempo e de fato está, ligada a cada veia minha, a cada suspiro meu, a cada movimento, a cada passo e como minha própria sombra, some. Se vai. E nada podemos fazer se não esperar que apareça de novo, em outros caminhos, em outras situações. A quero, como quero a tudo que a envolva. Sinto-lhe que em teus cabelos, estão escondidos todos meus medos, minhas definições, minhas conclusões. Pareço louco. E enlouqueço de vez em quando, para tentar tê-la junto a mim. Esta minha juventude não morrerá. E se um dia vier a perecer, que seja por vontade de minha velhice que insiste em mostrar-se mais rápida, mais sorrateira. Estes sentimentos tolos. Devo a ela todos eles. Talvez se não fosse do jeito que é, saberia me ouvir e aí não usaria destes meio-termos para descrevê-la. E neste quintal a vejo, todo dia. Ora estás como uma pêra, ora como uma pedra. Tão rígida, tão sólida. Tão pura, tão formosa. Que Deus me perdoe por amar esta mulher, que eu morra cem vezes por tê-la apreciado. Talvez não bastaria para anular os pecados que cometeria para poder tocar em seu rosto, revelar seus segredos que ao mesmo tempo acabam por sendo meus de alguma forma.
Em um suspiro teu, encontro minha luz, minha libertação.
Ouvindo 'Formato Mínimo' - Skank.
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