segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Das Meia-Noites Que Não Durmi
Das cercas, vejo a rua de baixo. No canto, ainda que distante, vejo a rua de baixo. Parece ser mais uma rua qualquer deste bairro tão calmo. Por ela, passam moças e rapazes. Velhos e senhoras. Tudo naquela rua de baixo. Não sei se enlouqueci, mas é por lá que devem estar meus sonhos. Juntamente dos velhos e dos jovens. Por onde andei há muito tempo. Naquela rua de baixo. Ninguém deve morar por lá, afinal não vejo sombras alguma. Apenas uma casa. Que começa aqui em cima. Logo, nada deve existir por lá. Meus sonhos, nem mesmo reconheço-os no meio de tanta vastidão. Culpo a mim, mero observador por deixá-los esvair-se pela minha mente. Naquela rua, naquela rua que nem mesmo sei se é rua embora meus sonhos o mostrem como rua, moram os meus mistérios. E mesmo que não more ninguém lá, é lá que eles resolveram ficar. Ao final desta casa, que começa aqui na frente, estão os meus mistérios. E tudo naquela rua. Me desculpem, fracassados leitores, mas nem sei se o que digo faz sentido com a realidade. Nem mesmo sei, se esta rua faz sentido com o mundo. Mas estão lá, jovens, adultos e meus mistérios esperando talvez que eu passe por lá para reconhecê-los. Naquela rua onde não há vida. Onde não há nada.
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