A cadeira do canto do escritório já avisava que aquele dia tinha acabado. Não por mais de um vez se encontrava jogada por lá, com algumas roupas por cima e um velho caderno de anotaçoes a sua frente. O sol da janela de vidro que substituira a parede iluminava vez que outra as folhas riscadas com anotações daquele jovem moço que se interessava nos pequenos detalhes da vida.
Não continuava seus passos tão rapidamente quanto desejava mas conseguia extrair deles o que havia de mais essencial para ser extraído. Era belo, ao olhar de alguns. Esperto ao olhar de outros. E por dentro de seu próprio olhar não era agraciado de nenhum dom sobre humano a não ser sua própria competência adquirida após alguns anos de experiências fora de seu próprio conforto interno. Aprendera a escrever tão naturalmente quanto o próprio Sol aprendera a se aquecer nas noites de inverno chuvosas.
Era pois assim, um fruto de seu próprio comportamento, alternando-se em dias iluminados e noites de lua cheia esbranquecida. Não alternava sempre, nem iluminava a todos. Apenas o que queria e por algum motivo, o que podia iluminar naquele dia.
E como fazia frio de vez em quando. Mas era ele mesmo o responsável por aquilo. Não sabia mais a quem culpar pela chuva, então resolveu fazer alguma coisa, e de repente, aprendeu o valor de se usar guarda-chuva. Não sabia mais a quem culpar pelas dores nos pés, e de repente, aprendeu o valor dos sapatos desgastados. E de repente, não mais que de repente, aprendeu que tudo aquilo era apenas coisa sua. Seus sapatos, seu guarda-chuva. Apenas seu destino que deveria ser escrito em giz de cera, por toda uma eternidade.
A chuva passava rapido, tanto quanto a velocidade de seus passos. O desgaste dos sapatos, era o mesmo da capa do guarda-chuva. E por alguns momentos ele mesmo se desprendia de seus sonhos. E quando era preciso estar atento, ele ainda estava sonhando. É claro que se passavam uma eternidade, quem sabe até duas. E ele continuava sonhando. Alegre, triste, com olhos cheio de lágrimas, mas ainda sim sonhando.
Não podia dizer muito sobre o que sentia. Não podia sentir tudo aquilo que dizia. Porque tudo passava tão rápido, as oportunidades são de uma vida só. As calçadas esburacadas, vez que outra alagadas, mas ainda sim o único caminho que conhecia. Era assim a vida. Simples, delicada. Com medo ou ansiedade.
A corrida daqueles que não tinham destino. Que confiavam no destino para correr. A corrida do dia-a-dia que mata e que consola. Amanhã, semana que vem, um dia desses... Quem sabe acabo de correr e começo a olhas os meus passos com mais cuidado. Mas por enquanto, nesses instantes pequenos e preciosos que ainda possuo de corrida, espero achar a largada final. Prevejo que estou no caminho, só me falta dar alguns passos. Um, dois, três... Depois, já não bastarão cadeiras, nem anotações. Apenas o teu nome, as tuas preocupações. Nem chuva, nem Sol, nem giz de cera. Apenas a cor escrita no cordão da minha rua dizendo ao mundo que enfim, por fim, cheguei aonde queria. Sem gritos, nem final de Hollywood. Apenas um recomeço simples, uma nova introdução. Voltaremos ao recomeço.
Para onde os sentimentos vão...
domingo, 16 de fevereiro de 2014
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Highway de Areia
A visão turva da estrada se emaranhava com os flashes instantâneos dos carros vindos na direção oposta. O Sol era bonito, a areia do deserto era bonita. Tudo brilhava mais que tudo, e meu carro, agora conversível, parecia uma janela para o show de luzes da natureza.
Eu seguia pela estrada, sem rumo, sem preocupações, sem medo de mais nada a não ser o barulho repetitivo do motor enguiçado e das quatro portas entreabertas. Preciso de um mecânico para resolver esses problemas.
Até agora creio que o pôr-do-Sol foi o único momento que me impediu de continuar na estrada. Talvez porque a noite não seja tão amiga dos estradeiros. Talvez porque eu não goste de andar de noite. Talvez porque eu tenha deixado um pouco de medo guardado nos bolsos da jaqueta. Talvez, somente, talvez...
A minha guria ficou para trás. Junto com todas as outras que havia dado carona no meu carro (de teto fosco e cinza). Eu tinha o retrato delas guardado na carteira, mas agora não tinha tempo de parar para olhá-las, nem de lembrar de onde as encontrei ou as deixei para trás.
Meu carro não era o mais novo. Meu carro não era o mais bonito. Era apenas o reflexo da estrada e do brilho do Sol que o deixava assim. Com aspecto de novo. Preciso consertar ele um dia. Limpar a carteira, dar mais caronas, aprender a andar de noite. Talvez precise de um carro novo ou talvez apenas precise de um mecânico para resolver todos esses problemas para mim.
Eu seguia pela estrada, sem rumo, sem preocupações, sem medo de mais nada a não ser o barulho repetitivo do motor enguiçado e das quatro portas entreabertas. Preciso de um mecânico para resolver esses problemas.
Até agora creio que o pôr-do-Sol foi o único momento que me impediu de continuar na estrada. Talvez porque a noite não seja tão amiga dos estradeiros. Talvez porque eu não goste de andar de noite. Talvez porque eu tenha deixado um pouco de medo guardado nos bolsos da jaqueta. Talvez, somente, talvez...
A minha guria ficou para trás. Junto com todas as outras que havia dado carona no meu carro (de teto fosco e cinza). Eu tinha o retrato delas guardado na carteira, mas agora não tinha tempo de parar para olhá-las, nem de lembrar de onde as encontrei ou as deixei para trás.
Meu carro não era o mais novo. Meu carro não era o mais bonito. Era apenas o reflexo da estrada e do brilho do Sol que o deixava assim. Com aspecto de novo. Preciso consertar ele um dia. Limpar a carteira, dar mais caronas, aprender a andar de noite. Talvez precise de um carro novo ou talvez apenas precise de um mecânico para resolver todos esses problemas para mim.
domingo, 23 de junho de 2013
Matelassê de Inverno
Ainda que não veja mais os laços na tua cabeça, ainda que não veja a cor colorida dos teus cadarços. Ainda que o máximo que me lembre é do inclinar de tua cabeça. Ainda que tudo no mundo conspire contra você. Ainda sim, sei que teu futuro é bom. Tuas manias não se encaixam nas minhas. Teu jeito diferente de fazer as coisas não são possíveis aqui. Sei que viestes para mudar, mas sei que infelizmente o destino não o permite ser alterado por pura e espontânea vontade. Mesmo assim, quero que saiba que meu desejo de vê-la feliz não mudou. Seja aqui, onde tudo é tão convencional ou em qualquer outro lugar onde as lentes de teus óculos opacas não causem espanto ou comentários pertinentes.
É. A vida tem seu valor quando vemos que existem tantas vidas dentro de uma. E que de vez em quando, é possível revisitar algumas delas. Tantas coisas, tantas coisas. Ainda guardo uma que outra na gaveta. Algum dia me livro delas. Por enquanto, enquanto vivo na mesma vida de sempre, vou aprendendo a mantê-las longe de mim. Eu sei que nada disso mudou, e que talvez nunca mude. Por que mudar, afinal?
Por fim, digo que aquilo que fiz, fiz porque achava bom fazer. Não me arrependo, e espero que tu também não tenha se arrependido. Lamento meus erros, embora já tenha me esquecido dos teus.
Um forte abraço,
Porque vez ou outra sabemos do que estamos falando sem ter que dizer nada.
Namastê.
É. A vida tem seu valor quando vemos que existem tantas vidas dentro de uma. E que de vez em quando, é possível revisitar algumas delas. Tantas coisas, tantas coisas. Ainda guardo uma que outra na gaveta. Algum dia me livro delas. Por enquanto, enquanto vivo na mesma vida de sempre, vou aprendendo a mantê-las longe de mim. Eu sei que nada disso mudou, e que talvez nunca mude. Por que mudar, afinal?
Por fim, digo que aquilo que fiz, fiz porque achava bom fazer. Não me arrependo, e espero que tu também não tenha se arrependido. Lamento meus erros, embora já tenha me esquecido dos teus.
Um forte abraço,
Porque vez ou outra sabemos do que estamos falando sem ter que dizer nada.
Namastê.
terça-feira, 30 de abril de 2013
Um Outono para o Velho Moinho
O tom enferrujado das folhas caídas já mostravam que o outono havia chegado na nossa pequena aldeia. Não eram somente as folhas, mas todo o cenário parecia ter tomado aquele ar alaranjado. O caminho trilhado anteriormente pelos passos marcados na neve, hoje era marcado por pequenas folhas e rastros de castores descuidados que deixavam suas nozes por ali.
Eu caminho em direção ao velho moinho. Não é que ele tenha sido grande coisa enquanto estivesse ativo, é que hoje ele representa tudo aquilo que eu fui ou que pretendo ser na vida. E isso era importante para mim.
O moinho quando foi construído lá pelos anos 30 ou 40, tinha grandes pretensões de trazer prosperidade e desenvolvimento para nossa região. E todos seus moradores ficavam animados em tê-lo por perto. Era novo. Pintado com as cores do verão. Animava tanto os velhos quanto as crianças. O cheiro de farinha saia de cada vão, de cada tábua que lá tinha sido pregado com entusiasmo e esforço por aqueles marceneiros.
De fato, a pretensão era tamanha que nem mesmo os jovens passavam sem admirar, mesmo que por alguns instantes, a beleza do moinho junto das folhas e dos pássaros que pousavam em seu telhado.
Mas, como nada dura para sempre, o moinho foi envelhecendo. As pás, antes tão ágeis e prestativas na sua tarefa de distribuir o cheiro de farinha, já não trabalhavam como antes. Tudo que restava era o barulho repetitivo do estalar de suas voltas e o canto de algum sabiá valente que se aventurava no meio daquele monumento antigo.
As pessoas já se acostumaram com o velho moinho. Nada era mais novo, nem diferente para aquela gente. O moinho havia feito o seu trabalho durante anos, e nada mais podiam fazer por ele.
Hoje eu caminho em direção ao velho moinho. Não que ele tenha sido grande coisa enquanto estivesse ativo, é que eu sei que se eu me aproximar dele, mesmo quando ninguém mais estiver se aproximando, eu conseguirei sentir aquele cheiro de farinha. E não somente o cheiro, mais a energia, a vitalidade e a sabedoria que somente um velho moinho pode proporcionar a seus admiradores. E por mais que o tempo ou os ventos mais fortes tentem, nada será capaz de quebrar aquilo que eu e o moinho havíamos construído durantes todos estes anos de convivência.
De vez em quando ainda me imagino refazendo os passos dos marceneiros. Construindo meus moinhos por aí. Talvez não consiga construí-los todos de uma só vez. É provável que não. Mas certamente, enquanto houverem sabiás corajosos o suficiente para se aproximar deles, eu não haverei de desistir de construí-los.
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Eu caminho em direção ao velho moinho. Não é que ele tenha sido grande coisa enquanto estivesse ativo, é que hoje ele representa tudo aquilo que eu fui ou que pretendo ser na vida. E isso era importante para mim.
O moinho quando foi construído lá pelos anos 30 ou 40, tinha grandes pretensões de trazer prosperidade e desenvolvimento para nossa região. E todos seus moradores ficavam animados em tê-lo por perto. Era novo. Pintado com as cores do verão. Animava tanto os velhos quanto as crianças. O cheiro de farinha saia de cada vão, de cada tábua que lá tinha sido pregado com entusiasmo e esforço por aqueles marceneiros.
De fato, a pretensão era tamanha que nem mesmo os jovens passavam sem admirar, mesmo que por alguns instantes, a beleza do moinho junto das folhas e dos pássaros que pousavam em seu telhado.
Mas, como nada dura para sempre, o moinho foi envelhecendo. As pás, antes tão ágeis e prestativas na sua tarefa de distribuir o cheiro de farinha, já não trabalhavam como antes. Tudo que restava era o barulho repetitivo do estalar de suas voltas e o canto de algum sabiá valente que se aventurava no meio daquele monumento antigo.
As pessoas já se acostumaram com o velho moinho. Nada era mais novo, nem diferente para aquela gente. O moinho havia feito o seu trabalho durante anos, e nada mais podiam fazer por ele.
Hoje eu caminho em direção ao velho moinho. Não que ele tenha sido grande coisa enquanto estivesse ativo, é que eu sei que se eu me aproximar dele, mesmo quando ninguém mais estiver se aproximando, eu conseguirei sentir aquele cheiro de farinha. E não somente o cheiro, mais a energia, a vitalidade e a sabedoria que somente um velho moinho pode proporcionar a seus admiradores. E por mais que o tempo ou os ventos mais fortes tentem, nada será capaz de quebrar aquilo que eu e o moinho havíamos construído durantes todos estes anos de convivência.
De vez em quando ainda me imagino refazendo os passos dos marceneiros. Construindo meus moinhos por aí. Talvez não consiga construí-los todos de uma só vez. É provável que não. Mas certamente, enquanto houverem sabiás corajosos o suficiente para se aproximar deles, eu não haverei de desistir de construí-los.
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terça-feira, 15 de janeiro de 2013
Marujo de Papel Pardo
Na beira do cais aporto o meu barco. De madeira forte e enrijecida, o vejo a flutuar sobre o mar salgado e profundo ao leste do horizonte. É tudo sempre tão especial aportar em uma cidade tão próxima da minha e sentir que novamente chego em paz ao meu destino. Não é sempre que um marujo pode se dar ao luxo de celebrar a sua existência. Em meio a tantos navios destruídos e presságios de morte, sou capaz de sonhar com outra vida. Talvez morar nos Alpes ou fazer novos amigos no centro da cidade. Iria comprar uma casa, um carro e depois largar tudo aquilo que venho treinando a anos. Não sou capaz de me imaginar fazendo isso, apenas me deixo levar nestes devaneios de que a vida um dia irá mudar.
A luta dos meus capitães me mostrou que nem sempre é preciso velejar em mares fortes para aprender a sobreviver as situações de risco. Por isso, agora já em terra firme, me deixo levar pela leve movimentação deste navio atracado e ao mesmo tempo penso que eu mesmo me sinto atracado a ele. Algo como se estivéssemos dividindo, eu e ele, a mesma âncora, e carregando ambos, toneladas e toneladas de mercadorias e passageiros em nossas costas. Somos amigos eu e minha embarcação, embora muitas vezes já o quisera abandonar por outras mais reluzentes. Mas, no final destes mesmos devaneios de abandono, volto a me lembrar dos capitães que passaram por ele e me lembro de que vi muitos destes mesmos navios brilhosos naufragarem em marés mansas.
Para um marinheiro pequeno como eu, é mais seguro velejar em embarcações rígidas e sólidas a se arriscar em navios luxuosos de papel. Pois para mim é muito mais válido trazer experiências de aprendizado destes mares do que arrancar-lhe pequenos objetos sem valor que embora agrade o ouvido de qualquer pescador, não é capaz de alimentar as necessidades de um bom coração.
Seja um bom marinheiro em sua própria embarcação e um dia aprenderás a navegar por todos os mares. E não busque ser comandante antes da hora, porque senão as ondas deste mar lhe serão imperdoáveis.
- Guilherme BoaVista escrito por
Para um marinheiro pequeno como eu, é mais seguro velejar em embarcações rígidas e sólidas a se arriscar em navios luxuosos de papel. Pois para mim é muito mais válido trazer experiências de aprendizado destes mares do que arrancar-lhe pequenos objetos sem valor que embora agrade o ouvido de qualquer pescador, não é capaz de alimentar as necessidades de um bom coração.
Seja um bom marinheiro em sua própria embarcação e um dia aprenderás a navegar por todos os mares. E não busque ser comandante antes da hora, porque senão as ondas deste mar lhe serão imperdoáveis.
- Guilherme BoaVista escrito por
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
A Menina do Vestido Branco Sem Cor
A praia possui o mar. As árvores possuem os pássaros. E eu, o que possuo? Era esta a questão que assolava a jovem a beira mar. Com seus cabelos compridos e seus óculos novos caminhava em direção ao mar como se fosse encontrar a resposta para todas as suas perguntas por debaixo de uma rocha ou dentro de um casco de um navio afundado. Não era mais menina já fazia um certo tempo e as suas perguntas antes limitadas ao sabor dos temperos e a cor dos doces já ultrapassavam a sua própria existência. O seu vestido, todo branco, indicava uma paz interior que embora já estivesse abalada por tantas vezes, agora já se acostumara com aquela ideia de solidão. Sabia que havia em algum lugar, por detrás daquele mar , alguém que também a estaria olhando e filosofando sobre a existência de alguém com seus mesmos sentimentos.
Ela não era perfeita. Mas ele também não precisava ser. Contanto que também pensasse sobre os pássaros e as árvores de vez em quando. E que soubesse cozinhar, pois embora não necessitasse se mostrar as amigas, certamente era admiradora de comidas bem temperadas e de doces coloridos.
Não sabia até quando ficaria admirando aquele mar ou se voltaria àquele lugar se soubesse que não haveria homem algum por trás dele. Apenas seguia os próprios passos tentando espiar alguma sombra por trás de cada onda. E via a si mesmo trajada naquele vestido branco se transmutando pela espuma salina do cais do porto e chegando em direção àquele homem. O Sol já não brilhava tanto quando chegou a conclusão que deveria retornar a sua realidade de moça descompromissada. Isso a machucava um pouco, mas não a desanimava, já que a sua própria alma se desfizera de alguns incomodos antes e tudo que restava por lá eram algumas feridas em processo de cicatrização. O mar lhe trazia esperança. E ela sabia que enquanto o mar estivesse por lá, suas esperanças também estariam. E no brotar de cada novo horizonte, ela estaria presente. Do lado daquelas árvores, observando aquelas ondas, pensando naquele homem. Porque ao final, a esperança é tudo que ela tem, e certamente é tudo que ele tem também. E deste modo eles jamais se perderão, pois ao que tudo indica, as ondas do destino os levarão ao mesmo lugar, onde tanto os pássaros, quanto as árvores já não serão mais importantes e o sentimento dos dois novos amantes preencherá todo aquele vazio existente dentro daquele vestido branco e daquele coração cheio de cicatrizes.
Ela não era perfeita. Mas ele também não precisava ser. Contanto que também pensasse sobre os pássaros e as árvores de vez em quando. E que soubesse cozinhar, pois embora não necessitasse se mostrar as amigas, certamente era admiradora de comidas bem temperadas e de doces coloridos.
Não sabia até quando ficaria admirando aquele mar ou se voltaria àquele lugar se soubesse que não haveria homem algum por trás dele. Apenas seguia os próprios passos tentando espiar alguma sombra por trás de cada onda. E via a si mesmo trajada naquele vestido branco se transmutando pela espuma salina do cais do porto e chegando em direção àquele homem. O Sol já não brilhava tanto quando chegou a conclusão que deveria retornar a sua realidade de moça descompromissada. Isso a machucava um pouco, mas não a desanimava, já que a sua própria alma se desfizera de alguns incomodos antes e tudo que restava por lá eram algumas feridas em processo de cicatrização. O mar lhe trazia esperança. E ela sabia que enquanto o mar estivesse por lá, suas esperanças também estariam. E no brotar de cada novo horizonte, ela estaria presente. Do lado daquelas árvores, observando aquelas ondas, pensando naquele homem. Porque ao final, a esperança é tudo que ela tem, e certamente é tudo que ele tem também. E deste modo eles jamais se perderão, pois ao que tudo indica, as ondas do destino os levarão ao mesmo lugar, onde tanto os pássaros, quanto as árvores já não serão mais importantes e o sentimento dos dois novos amantes preencherá todo aquele vazio existente dentro daquele vestido branco e daquele coração cheio de cicatrizes.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
O Jardim de Maria
Num jardim de flores violetas. E vermelhas. E brancas. E é neste campo que minha mente caminha durante o acordar do sol de primavera. Neste lugar não faz frio, nem chove. O horizonte é cortado unicamente por uma árvore de raiz mais grossa e de folhas compridas e ásperas que embora retorcidas pela sua própria natureza não dão menos valor àquele lugar.
Neste ambiente ainda vivem alguns pequenos animais como lagartas, borboletas, gaviões e águias que dão a este lugar uma mistura de sutileza e valentia que transparesse e ultrapassa a fina linha existente entre elas.
Não costumo visitá-lo muitas vezes, embora devesse, por recomendações médicas. Mas, creio que ele não se importe com tal indiferença, já que todas as vezes que venho pra cá, ele continua lindo e perfeito em seu estado natural. Sem nuvens, nem chuva, nem sequer uma lágrima. Apenas o forte brilho do Sol e a alegria contagiante de quem fica por lá.
Talvez esse lugar não venha a ser tão rico em detalhes, mas certamente é grande o suficiente para armazenar quaisquer pensamentos, quaisquer mágoas, quaisquer problemas que os demais mundos não podem suportar. A sua energia promove a paz e absorve a solidão e a ansiedade que carrego todo o dia. Esse lugar me faz bem. Essa energia me faz bem. Tudo em volta é puro e contagiante e faz com que cada dia eu me distancie mais dos meus problemas. Obrigado a quem quer que seja por me levar até lá, mesmo que eu não tenha pés para pisar naquele solo ou que não tenha mapas para me levar àqueles mares. Obrigado por mesmo eu estando aqui, imerso neste meu próprio mar, eu possa, em cada fechar de olhos, voltar para lá. Porque em cada instante que me imagino em paz, eu estou lá. E isso para mim é tudo.
Guilherme BoaVista - sob pseudônimo de.
Neste ambiente ainda vivem alguns pequenos animais como lagartas, borboletas, gaviões e águias que dão a este lugar uma mistura de sutileza e valentia que transparesse e ultrapassa a fina linha existente entre elas.
Não costumo visitá-lo muitas vezes, embora devesse, por recomendações médicas. Mas, creio que ele não se importe com tal indiferença, já que todas as vezes que venho pra cá, ele continua lindo e perfeito em seu estado natural. Sem nuvens, nem chuva, nem sequer uma lágrima. Apenas o forte brilho do Sol e a alegria contagiante de quem fica por lá.
Talvez esse lugar não venha a ser tão rico em detalhes, mas certamente é grande o suficiente para armazenar quaisquer pensamentos, quaisquer mágoas, quaisquer problemas que os demais mundos não podem suportar. A sua energia promove a paz e absorve a solidão e a ansiedade que carrego todo o dia. Esse lugar me faz bem. Essa energia me faz bem. Tudo em volta é puro e contagiante e faz com que cada dia eu me distancie mais dos meus problemas. Obrigado a quem quer que seja por me levar até lá, mesmo que eu não tenha pés para pisar naquele solo ou que não tenha mapas para me levar àqueles mares. Obrigado por mesmo eu estando aqui, imerso neste meu próprio mar, eu possa, em cada fechar de olhos, voltar para lá. Porque em cada instante que me imagino em paz, eu estou lá. E isso para mim é tudo.
Guilherme BoaVista - sob pseudônimo de.
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