A praia possui o mar. As árvores possuem os pássaros. E eu, o que possuo? Era esta a questão que assolava a jovem a beira mar. Com seus cabelos compridos e seus óculos novos caminhava em direção ao mar como se fosse encontrar a resposta para todas as suas perguntas por debaixo de uma rocha ou dentro de um casco de um navio afundado. Não era mais menina já fazia um certo tempo e as suas perguntas antes limitadas ao sabor dos temperos e a cor dos doces já ultrapassavam a sua própria existência. O seu vestido, todo branco, indicava uma paz interior que embora já estivesse abalada por tantas vezes, agora já se acostumara com aquela ideia de solidão. Sabia que havia em algum lugar, por detrás daquele mar , alguém que também a estaria olhando e filosofando sobre a existência de alguém com seus mesmos sentimentos.
Ela não era perfeita. Mas ele também não precisava ser. Contanto que também pensasse sobre os pássaros e as árvores de vez em quando. E que soubesse cozinhar, pois embora não necessitasse se mostrar as amigas, certamente era admiradora de comidas bem temperadas e de doces coloridos.
Não sabia até quando ficaria admirando aquele mar ou se voltaria àquele lugar se soubesse que não haveria homem algum por trás dele. Apenas seguia os próprios passos tentando espiar alguma sombra por trás de cada onda. E via a si mesmo trajada naquele vestido branco se transmutando pela espuma salina do cais do porto e chegando em direção àquele homem. O Sol já não brilhava tanto quando chegou a conclusão que deveria retornar a sua realidade de moça descompromissada. Isso a machucava um pouco, mas não a desanimava, já que a sua própria alma se desfizera de alguns incomodos antes e tudo que restava por lá eram algumas feridas em processo de cicatrização. O mar lhe trazia esperança. E ela sabia que enquanto o mar estivesse por lá, suas esperanças também estariam. E no brotar de cada novo horizonte, ela estaria presente. Do lado daquelas árvores, observando aquelas ondas, pensando naquele homem. Porque ao final, a esperança é tudo que ela tem, e certamente é tudo que ele tem também. E deste modo eles jamais se perderão, pois ao que tudo indica, as ondas do destino os levarão ao mesmo lugar, onde tanto os pássaros, quanto as árvores já não serão mais importantes e o sentimento dos dois novos amantes preencherá todo aquele vazio existente dentro daquele vestido branco e daquele coração cheio de cicatrizes.

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