domingo, 16 de fevereiro de 2014

Dentre Todas, a mais Especial

A cadeira do canto do escritório já avisava que aquele dia tinha acabado. Não por mais de um vez se encontrava jogada por lá, com algumas roupas por cima e um velho caderno de anotaçoes a sua frente. O sol da janela de vidro que substituira a parede iluminava vez que outra as folhas riscadas com anotações daquele jovem moço que se interessava nos pequenos detalhes da vida.

Não continuava seus passos tão rapidamente quanto desejava mas conseguia extrair deles o que havia de mais essencial para ser extraído. Era belo, ao olhar de alguns. Esperto ao olhar de outros. E por dentro de seu próprio olhar não era agraciado de nenhum dom sobre humano a não ser sua própria competência adquirida após alguns anos de experiências fora de seu próprio conforto interno. Aprendera a escrever tão naturalmente quanto o próprio Sol aprendera a se aquecer nas noites de inverno chuvosas.

Era pois assim, um fruto de seu próprio comportamento, alternando-se em dias iluminados e noites de lua cheia esbranquecida. Não alternava sempre, nem iluminava a todos. Apenas o que queria e por algum motivo, o que podia iluminar naquele dia.

E como fazia frio de vez em quando. Mas era ele mesmo o responsável por aquilo. Não sabia mais a quem culpar pela chuva, então resolveu fazer alguma coisa, e de repente, aprendeu o valor de se usar guarda-chuva. Não sabia mais a quem culpar pelas dores nos pés, e de repente, aprendeu o valor dos sapatos desgastados. E de repente, não mais que de repente, aprendeu que tudo aquilo era apenas coisa sua. Seus sapatos, seu guarda-chuva. Apenas seu destino que deveria ser escrito em giz de cera, por toda uma eternidade.

A chuva passava rapido, tanto quanto a velocidade de seus passos. O desgaste dos sapatos, era o mesmo da capa do guarda-chuva. E por alguns momentos ele mesmo se desprendia de seus sonhos. E quando era preciso estar atento, ele ainda estava sonhando. É claro que se passavam uma eternidade, quem sabe até duas. E ele continuava sonhando. Alegre, triste, com olhos cheio de lágrimas, mas ainda sim sonhando.

Não podia dizer muito sobre o que sentia. Não podia sentir tudo aquilo que dizia. Porque tudo passava tão rápido, as oportunidades são de uma vida só. As calçadas esburacadas, vez que outra alagadas, mas ainda sim o único caminho que conhecia. Era assim a vida. Simples, delicada. Com medo ou ansiedade.

A corrida daqueles que não tinham destino. Que confiavam no destino para correr. A corrida do dia-a-dia que mata e que consola. Amanhã, semana que vem, um dia desses... Quem sabe acabo de correr e começo a olhas os meus passos com mais cuidado. Mas por enquanto, nesses instantes pequenos e preciosos que ainda possuo de corrida, espero achar a largada final. Prevejo que estou no caminho, só me falta dar alguns passos. Um, dois, três... Depois, já não bastarão cadeiras, nem anotações. Apenas o teu nome, as tuas preocupações. Nem chuva, nem Sol, nem giz de cera. Apenas a cor escrita no cordão da minha rua dizendo ao mundo que enfim, por fim, cheguei aonde queria. Sem gritos, nem final de Hollywood. Apenas um recomeço simples, uma nova introdução. Voltaremos ao recomeço.






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