terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O Jardim de Maria

Num jardim de flores violetas. E vermelhas. E brancas. E é neste campo que minha mente caminha durante o acordar do sol de primavera. Neste lugar não faz frio, nem chove. O horizonte é cortado unicamente por uma árvore de raiz mais grossa e de folhas compridas e ásperas que embora retorcidas pela sua própria natureza não dão menos valor àquele lugar.
Neste ambiente ainda vivem alguns pequenos animais como lagartas, borboletas, gaviões e águias que dão a este lugar uma mistura de sutileza e valentia que transparesse e ultrapassa a fina linha existente entre elas.
Não costumo visitá-lo muitas vezes, embora devesse, por recomendações médicas. Mas, creio que ele não se importe com tal indiferença, já que todas as vezes que venho pra cá, ele continua lindo e perfeito em seu estado natural. Sem nuvens, nem chuva, nem sequer uma lágrima. Apenas o forte brilho do Sol e a alegria contagiante de quem fica por lá.
Talvez esse lugar não venha a ser tão rico em detalhes, mas certamente é grande o suficiente para armazenar quaisquer pensamentos, quaisquer mágoas, quaisquer problemas que os demais mundos não podem suportar. A sua energia promove a paz e absorve a solidão e a ansiedade que carrego todo o dia. Esse lugar me faz bem. Essa energia me faz bem. Tudo em volta é puro e contagiante e faz com que cada dia eu me distancie mais dos meus problemas. Obrigado a quem quer que seja por me levar até lá, mesmo que eu não tenha pés para pisar naquele solo ou que não tenha mapas para me levar àqueles mares. Obrigado por mesmo eu estando aqui, imerso neste meu próprio mar, eu possa, em cada fechar de olhos, voltar para lá. Porque em cada instante que me imagino em paz, eu estou lá. E isso para mim é tudo.

Guilherme BoaVista - sob pseudônimo de.

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