quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Highway de Areia

A visão turva da estrada se emaranhava com os flashes instantâneos dos carros vindos na direção oposta. O Sol era bonito, a areia do deserto era bonita. Tudo brilhava mais que tudo, e meu carro, agora conversível, parecia uma janela para o show de luzes da natureza.

Eu seguia pela estrada, sem rumo, sem preocupações, sem medo de mais nada a não ser o barulho repetitivo do motor enguiçado e das quatro portas entreabertas. Preciso de um mecânico para resolver esses problemas.

Até agora creio que o pôr-do-Sol foi o único momento que me impediu de continuar na estrada. Talvez porque a noite não seja tão amiga dos estradeiros. Talvez porque eu não goste de andar de noite. Talvez porque eu tenha deixado um pouco de medo guardado nos bolsos da jaqueta. Talvez, somente, talvez...

A minha guria ficou para trás. Junto com todas as outras que havia dado carona no meu carro (de teto fosco e cinza). Eu tinha o retrato delas guardado na carteira, mas agora não tinha tempo de parar para olhá-las, nem de lembrar de onde as encontrei ou as deixei para trás.

Meu carro não era o mais novo. Meu carro não era o mais bonito. Era apenas o reflexo da estrada e do brilho do Sol que o deixava assim. Com aspecto de novo. Preciso consertar ele um dia. Limpar a carteira, dar mais caronas, aprender a andar de noite. Talvez precise de um carro novo ou talvez apenas precise de um mecânico para resolver todos esses problemas para mim.


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