segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Das Meia-Noites Que Não Durmi
Das cercas, vejo a rua de baixo. No canto, ainda que distante, vejo a rua de baixo. Parece ser mais uma rua qualquer deste bairro tão calmo. Por ela, passam moças e rapazes. Velhos e senhoras. Tudo naquela rua de baixo. Não sei se enlouqueci, mas é por lá que devem estar meus sonhos. Juntamente dos velhos e dos jovens. Por onde andei há muito tempo. Naquela rua de baixo. Ninguém deve morar por lá, afinal não vejo sombras alguma. Apenas uma casa. Que começa aqui em cima. Logo, nada deve existir por lá. Meus sonhos, nem mesmo reconheço-os no meio de tanta vastidão. Culpo a mim, mero observador por deixá-los esvair-se pela minha mente. Naquela rua, naquela rua que nem mesmo sei se é rua embora meus sonhos o mostrem como rua, moram os meus mistérios. E mesmo que não more ninguém lá, é lá que eles resolveram ficar. Ao final desta casa, que começa aqui na frente, estão os meus mistérios. E tudo naquela rua. Me desculpem, fracassados leitores, mas nem sei se o que digo faz sentido com a realidade. Nem mesmo sei, se esta rua faz sentido com o mundo. Mas estão lá, jovens, adultos e meus mistérios esperando talvez que eu passe por lá para reconhecê-los. Naquela rua onde não há vida. Onde não há nada.
sábado, 13 de dezembro de 2008
Das meia-voltas que a vida dá.
Ainda com o espírito consternado, respiro afoito. Noites e noites pensando em pretextos para tê-la junta a mim. Palavras que saem sem eu ao menos notar, que esperava que chegassem ao seu corpo em forma de poesia. Mas como se não soubessem para onde ir, caem a meus pés. Sujas, imundas, encardidas. E como se não tivessem para onde ir voltam para mim. Sou um pobre rapaz. Incapaz de dá-la aquilo que pretende. Suas feições tão alegres vez ou outra, para mim ainda são enigmáticas. Não digo-lhes que me decepciono, mas sinto-me frustrado com a ousadia de outros que buscam sagrar-se campeão a minhas custas. Amigo meu, homem sério, um tanto vulgar por assim dizer. Não entenderia bulhufas do que escrevo por aqui. Ignorante a certo ponto a julgar-se amigo meu. Meu amigo, não sois vós o problema, sois a solução. O poema que não digo, o poema que trago aqui. Este é o problema. E invariavelmente, a solução.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Cara de Anjo
Envolvido até o último fio de cabelo contigo e comigo. Inalando suas essências enquanto busco relacioná-las com outras nem tão preciosas. Achando que estás aqui, comigo, todo o tempo e de fato está, ligada a cada veia minha, a cada suspiro meu, a cada movimento, a cada passo e como minha própria sombra, some. Se vai. E nada podemos fazer se não esperar que apareça de novo, em outros caminhos, em outras situações. A quero, como quero a tudo que a envolva. Sinto-lhe que em teus cabelos, estão escondidos todos meus medos, minhas definições, minhas conclusões. Pareço louco. E enlouqueço de vez em quando, para tentar tê-la junto a mim. Esta minha juventude não morrerá. E se um dia vier a perecer, que seja por vontade de minha velhice que insiste em mostrar-se mais rápida, mais sorrateira. Estes sentimentos tolos. Devo a ela todos eles. Talvez se não fosse do jeito que é, saberia me ouvir e aí não usaria destes meio-termos para descrevê-la. E neste quintal a vejo, todo dia. Ora estás como uma pêra, ora como uma pedra. Tão rígida, tão sólida. Tão pura, tão formosa. Que Deus me perdoe por amar esta mulher, que eu morra cem vezes por tê-la apreciado. Talvez não bastaria para anular os pecados que cometeria para poder tocar em seu rosto, revelar seus segredos que ao mesmo tempo acabam por sendo meus de alguma forma.
Em um suspiro teu, encontro minha luz, minha libertação.
Ouvindo 'Formato Mínimo' - Skank.
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