quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Flauta Doce

Jovens nas ruas gritando por liberdade, jovens nas ruas gritando por revolução, são os chamados que os transformam, são os chamados que os consomem. Não vejo mais aqueles jovens, não vejo mais aquele sentimento que senti durante anos. Hoje, não temos mais jovens para gritar, direitos para proclamar porque somos filhos de uma nação calada que consome a si mesmo ao invés de consumir a cultura das gerações lutadoras que resistiram a balas de chumbo e a discursos promissores. Éramos poucos, mas éramos tudo. Vivíamos criando a nossa infância, mesmo quando já barbados, fumávamos cigarros nos beirais das estradas. Hoje, não fazem mais sonhadores. Não se fazem mais objetivos longíquos, como plantar uma árvore ou salvar uma cidade. Criamos uma geração de artistas, de estrelas decadentes, de pessoas as quais a coluna social do jornal de sábado é a base e a margem da criatividade. Não há vergonha nesta nação. Não há mais nada a que criar. No entanto, há esperança, porque somos enraizados em uma educação de amor as coisas, de amor a pátria. Lutamos como bestas para defender o nosso caráter, para defender as nossas idéias, as nossas opiniões. Sabemos da história e provavlemente já palpitamos sobre o futuro. E isto nos dá vantagem sobre qualquer outra geração de pessoas que queiram dominar o planeta. Sabemos arrumar o nosso quintal, apenas preferimos assistir a televisão no nosso sofá de seda.