quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Flauta Doce
Jovens nas ruas gritando por liberdade, jovens nas ruas gritando por revolução, são os chamados que os transformam, são os chamados que os consomem. Não vejo mais aqueles jovens, não vejo mais aquele sentimento que senti durante anos. Hoje, não temos mais jovens para gritar, direitos para proclamar porque somos filhos de uma nação calada que consome a si mesmo ao invés de consumir a cultura das gerações lutadoras que resistiram a balas de chumbo e a discursos promissores. Éramos poucos, mas éramos tudo. Vivíamos criando a nossa infância, mesmo quando já barbados, fumávamos cigarros nos beirais das estradas. Hoje, não fazem mais sonhadores. Não se fazem mais objetivos longíquos, como plantar uma árvore ou salvar uma cidade. Criamos uma geração de artistas, de estrelas decadentes, de pessoas as quais a coluna social do jornal de sábado é a base e a margem da criatividade. Não há vergonha nesta nação. Não há mais nada a que criar. No entanto, há esperança, porque somos enraizados em uma educação de amor as coisas, de amor a pátria. Lutamos como bestas para defender o nosso caráter, para defender as nossas idéias, as nossas opiniões. Sabemos da história e provavlemente já palpitamos sobre o futuro. E isto nos dá vantagem sobre qualquer outra geração de pessoas que queiram dominar o planeta. Sabemos arrumar o nosso quintal, apenas preferimos assistir a televisão no nosso sofá de seda.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Papelaria
Fui a papelaria, atrás de um papel que não se encontra em papelarias. Por graça, achei-o escondido por entre as prateleiras nobres. Os mais bobos o confundiriam com sua pele, os mais espertos teriam certeza disto. Já em casa, levantei a pena para assim escrever sobre ti. Algumas palavras, poucas, breves. De tempos em tempos alisava a carta em busca de teus sorrisos, ao invés encontrava margens. Das pontas ainda restava um pouco de ti, mas quanto ao resto, foi-se embora. Morto pelo tempo, teu cheiro já não estava totalmente impregando neste papel sedoso. Mas as linhas guardavam-na em pequenas fragrâncias. Viva, estava viva ainda que morta pelo tempo. E enquanto peregrinava pela palavras, achava em ti minhas respostas.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Da biblioteca Central

Já se tinha passado de 22 de Abril quando deixei-me levar pelas pernas e segui caminho a biblioteca central, acatei-me a ir em um dia de chuva e pegar a estação próxima para evitar de encontrar com conhecidos ou distrações semelhantes. Pelo caminho, ainda avistei algumas pessoas mas passei por elas como se fossem desconhecidas. Do bonde, apenas lembro-me do barulho e do vento que cortava-lhe a carapaça enquanto saiam e entravam pessoas.
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